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Um amor chamado Penny Dreadful.

Na última segunda-feira (20/06), tive a triste notícia de que uma das minhas séries favoritas tinha sido cancelada. A série estreou em 2014, chegando ao fim em sua terceira temporada. Ainda não tinha assistido ao series finale de Penny Dreadful e até então o criador da série, John Logan , não tinha nos informado sobre seu fim. Nem preciso dizer o quanto chorei assistindo esse final, foi bem pesado. Essa série é tão especial assim para mim por várias razões, então resolvi falar sobre ela aqui (como já tinha prometido na resenha sobre O Retrato de Dorian Gray) como um modo de homenageá-la e também como despedida. Penny Dreadful é uma série de horror criada por John Logan e produzida por ele e Sam Mendes. Se passa no final do século XIX, na cidade de Londres na Era Vitoriana. A história conta com personagens clássicos da literatura gótica como Victor Frankenstein e sua Criatura que na série adota o nome de John Clare (seu poeta favorito), Dorian Gray , Conde Drácula e Dr. Je...

Filmes que falam sobre mim.

Assim como a música e os livros, os filmes que mais amo sempre têm algo a ver comigo - da mesma maneira que acredito que isso aconteça com você. Seja uma personagem, uma história de vida, problemas, felicidades, aventuras, sonhos etc, sempre vai existir aquele filme que parece que foi feito para você.  Resolvi fazer uma lista dos que me trazem certos sentimentos e que me identifico de inúmeras formas, tanto que nunca passo muito tempo sem assistir novamente. Talvez eles digam mais sobre mim do que eu jamais poderia explicar, essa é uma das coisas que mais aprecio na arte, o poder que ela tem que lhe mostrar/causar sentimentos que você muitas vezes não consegue externar sozinho, ou que prefere guardar no seu íntimo. A lista a seguir não contém todos os meus filmes favoritos (até porque acho que seria impossível caber todos em um único post, e também não estão necessariamente em ordem), mas apenas alguns que resumem muito bem esses sentimentos dos quais falei.  Na Natur...

Filme: A Bruxa (2016), de Robert Eggers.

A Bruxa (2016) , se passa na Nova Inglaterra, no ano de 1630. Após desentendimentos com a igreja, William e Katherine são expulsos da vila onde moravam com suas cinco crianças, e partem sem rumo à procura de um novo lugar para se estabelecerem. Acabam morando à beira de um deserto intransitável cercado por uma imensa floresta. Em nenhum momento ficamos sabendo o motivo da expulsão deles, mas mesmo com o ocorrido, a família continua totalmente fiel aos ideais cristãos daquela época, com um fanatismo exacerbado, por sinal. O ambiente hostil onde vivem é um dos elementos essenciais do longa. Com uma fotografia impecável, ele retrata muito bem como o território americano ainda era inóspito, além de mostrar a cultura daquele povo de um modo bem realista. Inclusive, o filme foi totalmente baseado em lendas e relatos escritos e orais de pessoas daquela época. Tudo começa a piorar quando o filho caçula deles, um bebê ainda de colo, desaparece misteriosamente enquanto estav...

Sobre Edgar Allan Poe e suas Histórias Extraordinárias.

Edgar Allan Poe (1809-1849) , nasceu em Boston, EUA. Filho de um casal de atores fracassados, ficou órfão ainda muito pequeno, mas foi adotado por uma família abastada, de quem recebeu uma boa educação clássica, estudando na Escócia e Inglaterra. Frequentou a Universidade da Virgínia estudando grego, latim, francês, espanhol e italiano, mas largou a vida acadêmica por causa do jogo, ao qual era viciado e perdeu muito dinheiro. Esse foi um dos motivos que levaram a ocorrência de conflitos com seu pai adotivo. Ele era muito devotado à sua mãe adotiva, mas acabou perdendo-a também, assim como sua mãe biológica. Essas tragédias, sem dúvida, influenciaram muito no modo como ele perceberia o mundo ao seu redor, e à sua melancolia. Poe se apaixonou verdadeiramente por duas mulheres em sua vida, com uma delas ele se casou, e as duas, adivinhem só, também morreram. Ele também tinha problemas com a bebida e acabou se viciando em ópio, que eram como um "refúgio" para ele conseguir...

Resenha: Drácula, de Bram Stoker.

Abraham “Bram” Stoker (1847-1912) , nascido na Irlanda, escreveu diversos livros e se dedicou também a adaptações para o teatro, mas sua verdadeira obra prima é, sem dúvida, Drácula (1897). Na época em que o livro foi lançado, ele não teve uma repercussão tão boa quanto a que tem hoje em dia, já que a literatura de horror não tinha tantos fãs quanto hoje no século XIX. Mas foi graças a esse livro e outros como Frankenstein, da Mary Shelley, que temos hoje os meus tão amados filmes de terror. Essas obras foram as percussoras da literatura de horror e inspiraram vários filmes, livros, quadrinhos, jogos etc. que temos hoje. Por esse motivo acho sempre bom lembrar o quão importante elas são. Toda a narrativa do livro é feita através de cartas, diários e telegramas, o que se torna genial, pois nós vemos partes da história na perspectiva de cada personagem, de uma forma honesta já que eles colocam o seu íntimo no que escrevem. O livro começa com o diário de Jonathan Harker , um pro...

Resenha: O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.

O Retrato de Dorian Gray é o único romance do escritor irlandês, nascido em Dublin, Oscar Wilde (1854-1900) , o romance foi fortemente criticado na época – alguns viam imoralidade na obra, já que Wilde, entre outras coisas, introduziu com essa ficção o tema da homossexualidade no romance inglês, o que foi um dos maiores motivos que fizeram com que eu me interessasse por esse livro. Dorian Gray era um jovem bonito, loiro, dos cabelos encaracolados, lábios torneados e escarlates, que eram algumas das qualidades mais fascinantes dele e que faziam com que as pessoas acreditassem sempre no seu rosto inocente e encantador. Dorian não tinha malícia no começo do romance, e nem mesmo tinha noção da sua beleza e de como ele poderia tirar proveito disso. No começo do livro, Dorian Gray ainda não aparece, só ouvimos falar dele através de uma conversa entre seu amigo pintor Basil Hallward, que tinha uma paixão secreta por ele (no livro, em nenhum momento ele confessa que é apaixonado pelo Dori...

Os Distraídos, Rubens Figueiredo.

"Ainda que eu feche os olhos, mesmo que eu tape os ouvidos e comprima com força as mãos sobre as orelhas, percebo na pele, sinto nos ossos que o mundo trepida e bufa, agitado, à minha volta. Sempre me admira que tudo se esforce tanto em se mostrar, sempre me espanta que com tamanha sofreguidão todos queiram aparecer. Para mim, esconder-se é habilidade suprema e manter-se oculto constitui o talento mais precioso de todos. Mas nem sempre pensei assim, antes eu era como os outros. Entrava no elevador e as quatro pessoas que meus olhos viam eram as quatro pessoas que o elevador de fato carregava. A voz que meu ouvido escutava no telefone representava, para mim, a mesma voz que falava, bem longe dali. Minha mão espremia uma esponja encharcada e a água que escorria entre os dedos era – assim eu acreditava – a mesma água que ela, antes, havia absorvido. Mas a essa altura, em algum lugar, em algum vão mais sombrio, ele já me espreitava pelas costas. Sem que eu notasse, ele já vigiav...